Hoje eu sentei do lado frio da calçada, hoje não consegui ver o dia nascer e o sol se pôs mais cedo. Não acordei, fiquei em transe, não senti meu corpo. Hoje já à noite a lua não tem brilhado, as estrelas sumiram, o vento me carrega e meus olhos estão se fechando. Hoje que não senti suas mãos como meu esteio, caí e não quis levantar. Sentei e acabei-me em prantos. Agora que as lágrimas descem, elas gelam meu rosto, fico pálida e mal respiro. Agora que as lágrimas secam me deparo com minha própria angústia. Sinto como se jogassem mil carros sobre meu peito, me sufoco, me desloco. Sinto como se estivesse sozinha, nem eu mesma sirvo de companhia pra mim. Jogo-me entre meus lençóis e esperando achar-te afundo meus pés na cama e meus cabelos negros não mais se enroscam nos seus. Abraço a única lembrança que me mantém respirando, sinto seu cheiro entre cada foto e cada passo. Hoje me distraí com sua voz, mas ela muda um pouco ao telefone, não é a mesma coisa. Hoje sua voz teceu meu sorriso, ao ouvir você rindo me desmoronei, queria estar perto pra poder brincar como a gente gosta. Queria estar perto pra poder te amar do jeito que você gosta. Queria estar perto pra tocar seus ombros e olhar em seus olhos. Cada segundo é um pedaço de mim que se decipa, é um buraco vago em meu peito. Cada segundo que penso que poderíamos estar nos enchendo de amores, engulo seco, aperto os olhos, mas mesmo depois de abrí-los ainda não tenho você em minhas mãos. Agora que me olhei no espelho, mal pude ver meu reflexo, mal me encherguei. Não me vejo mais sem sua respiração ofegante assoprando minha nuca, os arrepios que sinto agora são de saudade e só agora pude ver o lado escuro da lua.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
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